ROMA - O rigor da polcia do aeroporto internacional de Roma no impediu que Silvana Saturnina Santos - uma alagoana esperta - chegasse a Brescia, perto de Milo, no norte da Itlia, para apresentar o pequeno Lucas, de oito meses, ao pai italiano de dois de seus filhos. Depois de permanecer retida e isolada por quase 30 horas numa sala do posto policial do Leonardo da Vinci, aeroporto romano de Fiumicino, Silvana, 29 anos, artes e empregada num escritrio de advocacia em Caraguatatuba, So Paulo, acompanhada de suas trs crianas - Slvia, 11 anos, filha de um pai brasileiro; Brbara, 5, e Lucas, 8 meses, filhos de Davide Parziale, que conheceu h 6 anos quando o italiano trabalhava como pintor na cidade paulista, foi finalmente autorizada a terminar sua aventura em Brescia, como hspede da famlia Parziale.

As 30 horas mais longas e angustiantes da vida de Silvana - como ela qualificou sua deteno no aeroporto de Roma - comearam s 7 horas de domingo, quando se apresentou, com os trs filhos, ao controle de passaportes da polcia italiana. A presena de uma jovem mulata, com crianas em idades de adoo, foi suficiente para tornar os policiais romanos suspeitosos, exigentes e intratveis. Esquecendo que a Itlia no exige vistos de entrada nos passaportes dos cidados brasileiros, sem levar em conta o fato de que Silvana possua quatro passagens com data marcada (o prximo 8 maio) de volta ao Brasil e uma documentao que confirmava a paternidade italiana de Brbara e Lucas, os policiais insistiam numa nica exigncia: que a brasileira exibisse US$ 1.000, quantia que consideravam indispensvel para as despesas de uma breve estadia na Itlia.

Em vo, Silvana tentou explicar, em portugus, que viajava pela primeira vez  Itlia a convite do pai e dos avs italianos de Brbara e Lucas, que seria hospedada na casa deles de Brescia. Nenhum dos policiais quis comunicar-se com os nmeros de telefones da famlia Parziale. "O mais nervoso deles no queria perder tempo em conversas, gritando para que seus colegas expulsassem logo questa puttana (esta puta) da Itlia", Silvana contou mais tarde.

A alagoana comeou a vencer sua guerra contra a intolerncia da polcia italiana recorrendo a uma espanhola que conhecera no vo da Alitlia de So Paulo a Roma. A ela, Silvana pediu que informasse aos Parziale de Brescia do drama que estava vivendo no aeroporto romano. A resposta a esse pedido de socorro chegou com um conselho de Davide, o italiano de 30 anos que a alagoana conhecera em Macei h seis anos. "Diga que est se sentindo mal, faa-se internar num hospital." Silvana seguiu o conselho, mas no hospital, depois de vrios exames, os mdicos disseram que ela no tinha nada, era mais saudvel do que um peixe.

De volta ao aeroporto, Silvana soube que seria reembarcada para So Paulo no vo noturno da Alitlia. Com a desculpa de comprar gua e biscoitos para os filhos, obteve autorizao para sair do isolamento - e esconder-se da polcia, por mais de trs horas, dentro das lojas do aeroporto. De onde ouviu tambm os diversos avisos lanados pelos alto-falantes de que o vo da Alitlia no podia mais retardar sua decolagem.

Sem qualquer queixa contra o pessoal da companhia area, ontem  noite, falando pelo telefone da casa dos pais de Davide Parziale em Brescia, Silvana no queria esquecer os momentos de discriminao, humilhao e de toda sorte de descortesias que viveu no aeroporto at a manh de ontem,quando seu caso se tornou notcia da primeira pgina do Corriere della Sera e o consulado geral do Brasil em Roma procurou saber do inspetor Pronabi, da polcia do aeroporto Leonardo da Vinci, que tratamento estava sendo dispensado  cidad brasileira Silvana Saturnino Santos, me de duas crianas com direito  cidadania italiana.

Dois episdios que mudaram da gua para o vinho o tratamento dispensado  moa morena das Alagoas, que ontem  tarde pde ser recebida e abraada calorosamente por Davide, sua me e sua irm no aeroporto Linate de Milo, de onde seguiram para Brescia.
